Casa do Concelho do Sabugal

XXXI Capeia Arraiana no Campo Pequeno - 6 de Junho de 2009 - 17H00

 

 

Grande festa da 31.ª Capeia no Campo Pequeno – 2009

 

 

Mais de 2500 pessoas estiveram presentes no dia 6 de Junho, na monumental Praça de Touros do Campo Pequeno em Lisboa para assistirem à XXXI Capeia Arraiana, organizada pelo Direcção com a colaboração dos restantes órgãos sociais da Casa do Concelho do Sabugal.

 

De manhã bem cedo, prenunciando um dia menos favorável para a nossa  festa, que começou com bastantes nuvens e mesmo algum vento, tornando-se logo bem chuvoso e com uma grande trovoada, uma vasta equipa de colaboradores rumou  ao Campo Pequeno para tratar das várias tarefas previamente determinadas e necessárias para a boa preparação de todos os aspectos da festa. No próprio recinto, uma equipa tratou da preparação do forcão, da recepção dos touros e da verificação das condições da praça. Outra equipa teve o trabalho de transporte da sede da Casa para o Clube Operário de Lisboa, um espaço exterior ao recinto da praça, cedido gentilmente à Casa pelo seu Presidente, como tem vindo a acontecer ao longo dos anos, a quem a ficámos agradecidos, todos os equipamentos do bar, quer de cozinha, quer das bebidas e dos enchidos.

Pelo meio dia, desaparecida a chuva e mesmo as nuvens, o sol começou a espreitar os arraianos que foram chegando de todas as partes. Das freguesias do concelho Sabugal vieram centenas de pessoas, transportadas a maioria em 9 autocarros da "Viúva Monteiro & Irmão", outros em viatura própria, tendo mesmo vindo um grupo de arraianos directamente de França para poderem assistir à festa. De Lisboa e arredores vieram outras largas centenas de arraianos, descendentes, famílias e amigos, que se concentraram junto das bilheteiras para poderem adquirir os seus ingressos.

 Chegados todos os principais intervenientes na Capeia, Bombeiros do Sabugal, Bombeiros do Soito, Tamborileiros de Aldeia da Ponte, Cavaleiro Zé Manel do Soito e os touros do Ganadeiro Sr. José Dias, foi altura de a Direcção oferecer a todos o merecido almoço na seda da Casa na Av. Almirante Reis.

No recinto do Clube Operário de Lisboa, agora já com os equipamentos do bar a funcionar e com os grelhadores com carvão em brasa, foram chegando também os arraianos que não deixaram de fazer o seu repasto com sardinhas assadas, febras e outras carnes.

Os enchidos foram colocados no interior do recinto da praça de touros, num balcão gentilmente cedido pela Administração da praça, que proporcionou a venda de chouriços, morcelas e farinheiras durante toda a tarde.

À hora marcada e com as bancadas da praça de touros bem compostas, pelo menos com tantos espectadores como no ano anterior, ainda que às bilheteiras continuassem a chegar alguns arraianos mais atrasados, logo se iniciou o tradicional desfile, orientado e encabeçado pelo organizador de sempre desta festa e membro dos órgãos sociais da Casa, o meu caro amigo Carreirinha Ramos. A Banda Filarmónica de Benavente ofereceu a alegria da música e do ritmo do desfile. que englobava a rapaziada, os Bombeiros do Sabugal e do Soito, os Tamborileiros de Aldeia da Ponte, o Rancho Folclórico de Vila Boa, que em boa hora quis associar-se a esta festa, bem como a quem quis participar com as bandeiras das Juntas e das Associações do Concelho.

O desfile decorreu com grande animação dos figurantes e do público que não regateou aplausos para tão elevada manifestação de alegria, de cor e de ritmo. Perfilados perante a tribuna de honra, foi pedida a praça ao Exmo. Senhor Presidente da Câmara do Sabugal, que desejou a melhor faena a toda a rapaziada, precedida de uma breve mensagem de boas vindas do Senhor Presidente da Casa do Concelho do Sabugal.

Logo de seguida, a rapaziada das Aldeias voltou a colocar o forcão no centro da arena desta monumental praça de touros, pedindo a direcção do espectáculo ao corneteiro desta bela Praça que se levantasse e troasse no ar a melodia para o início da abertura dos curros ao 1º touro. Entrou bem este touro, como os outros quatro escolhidos na ganadaria do Sr. José Dias, bem no forcão estiveram os rapazes que souberam enfrentar com mestria e arte as fortes investidas dos touros nas duas galhas do forcão. Os aplausos do público não se fizeram esperar a cada espera, motivando ainda mais os nossos rapazes na arena.

Retirado o forcão quando o touro já não quer investir e colocado junto dos salva-vidas, segue-se sempre a garraiada da capeia com as mãos, fintando os touros com o rodopiar do corpo bem próximo dos cornos do touro, obrigando este a dobrar-se sobre si próprio, várias vezes e sucessivamente, até ficar rendido ou pelo menos bem cansado, o que proporciona quase sempre o culminar das lides com o agarrar dos touros, no meio da praça, como já nos habituaram estes bravos rapazes ao longo dos tempos. Assim aconteceu também desta vez com todos os touros, com excepção do último, que, de tão grande compleição, quebrou totalmente com as suas investidas no forcão e caiu sozinho na arena.

Os mais novos também tiveram a oportunidade de mostrar o quanto esta festa corre no sangue das gentes da raia sabugalense, pegando no forcão para esperar a sua bezerra, com valentia, já bem coordenados nos movimentos, garantindo o futuro desta festa. De seguida tourearam e agarraram o animal com coragem e audácia.

No que à capeia diz respeito, importa mais uma vez realçar que não houve qualquer caso a lamentar, com excepção de um pequeno susto de um bravo rapaz ter querido agarrar um touro sozinho, andando debaixo dele e terminando bastante magoado numa perna. Prontamente retirado da arena e em segurança, prontamente assistido, logo recuperou para alívio de todos.

No intervalo, merecem referência as actuações do Cavaleiro José Manuel do Soito e do Rancho Folclórico de Vila Boa. O cavaleiro Zé Manel mostrou os seus belos cavalos e exibiu mais uma vez a sua perícia e arte equestre, numa actuação de grande brio, tendo merecido da assistência o seu total agrado com aplausos de cada arte. O Rancho Folclórico de Vila Boa mostrou a todos uma tradição secular portuguesa, bem do agrado geral, exibindo as vestes tradicionais e alguns instrumentos de antigo trabalho rural, mas tendo feito sobretudo uma bela actuação com os seus cantares e danças típicas, principalmente dos seus elementos mais jovens, que fizeram as delícias de muitos assistentes.

Terminada a Capeia, a festa transferiu-se para o espaço do Clube Operário de Lisboa, onde grupos de amigos e vizinhos colocaram as conversas em dia, mataram saudades da distância e do tempo, acompanhados de uma merenda já merecida, de morcelas, chouriços e carne assada, nos grelhadores à disposição, e regados com um ou mais copos de cerveja, de sumo, ou de vinho.

Em suma, como manda a tradição e é de merecimento, os órgãos sociais da Casa do Concelho do Sabugal vêm congratular-se pela forma como decorreu mais este espectáculo, agradecer a presença do Senhor Presidente da Câmara Municipal do Sabugal e de todos os participantes directos na festa, que ajudaram e colaboraram desinteressadamente. Muito obrigado a todos !

Por fim uma palavra muito especial para o nosso público porque é efectivamente especial no apoio e na forma de sentir a festa da Capeia Arraiana.

Lisboa, 19 de Junho de 2009

(José Luís Tomé)